Museu das Flores

Pedras com História

Seguimos a nossa rubrica com mais um vestígio do passado, localizada na Fajã Lopo Vaz, no concelho das Lajes das Flores, encontramos a Mó de Pastel!

Mó talhada em basalto

Dimensões aproximadas: Altura mínima 15 cm e Diâmetro 130 cm.

Acreditamos estar perante uma mó de moer pastel porque a sua dimensão é maior do que a mó de cereais e o seu olho é quadrangular enquanto a mó de cereais tem o olho circular.

Pastel é o nome comum da planta Isatis tinctoria L., oriunda do leste europeu.

O pó das folhas fermentadas era usado como corante azul na tinturaria, pintura e na medicina. A sua relevância económica cai com o aparecimento do índigo e anil.

A introdução do pastel nos Açores pode ser atribuída a flamengos que com ele tiveram contacto na Madeira ou então por colonos madeirenses que a partir de meados do séc. XVI aportam às ilhas de S. Miguel, Terceira e Faial. Guilherme da Silveira foi um deles.

A Ilha das Flores foi descoberta em 1452 e teve uma primeira experiência de povoamento por volta de 1480, conduzida por Guilherme da Silveira, que não terá ultrapassado uma década. Este flamengo semeou trigo e pastel durante a sua permanência. Nos novos territórios povoados tratou-se logo de experimentar as culturas apetecíveis pelo mercado europeu.

O povoamento efectivo nunca terá começado antes de 1505. Se o trigo era essencial à sobrevivência humana, a introdução do pastel representava uma cultura destinada ao mercado internacional, que se previa lucrativa. Irradiou da Madeira para os Açores onde atingiu grande projecção económica nos sécs. XVI e primeiro quartel do séc. XVII, sendo exportado para a Flandres, Itália e Inglaterra, grandes centros produtores têxteis da época.

É Gaspar Frutuoso (1522? - 1591) na sua obra Saudades da Terra, no livro VI, com escrita iniciada na década de 1580, período em que os cabouqueiros do povoamento estão a desmatar e lavrar, que nos fala de “(…) uma Fajã de Lopo Vaz, de três moios de terra e rasa com o mar (…)” boa para produzir trigo e pastel, “que nela amadurece primeiro que em nenhuma parte da ilha, e ter muitas fontes de água”. Terra fértil, abundância de água e um microclima fantástico era tudo o que a planta precisava para se desenvolver. Contudo, na época em que escreve a produção está em queda porque o solo já apresentava sinais de esgotamento, característica dos solos vulcânicos, ricos em minerais e pobres em nutrientes orgânicos. Afirma o cronista que “de poucos anos antes de agora, passavam lá ingreses buscar pastel e levavam algumas roupas.” Se passavam e já não passam é porque a produção está em queda. Essa tendência é claramente observada em S. Miguel neste período.

Categoria
Local
Fajã de Lopo Vaz - Lajes das Flores
Data Inicial
2026-04-18
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